
Hipotermia
a bordo
Capitão
Am Claudia Barth, cirurgiã plástica
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A hipotermia é uma emergência clínica e deve ser imediatamente tratada. Ocorre quando a temperatura corporal cai abaixo de 35 graus centígrados, geralmente após exposição ao frio, não necessariamente a temperaturas extremamente baixas. A queda na temperatura corporal leva a respostas compensatórias como vasoconstricção cutânea (palidez), calafrios e, em temperaturas abaixo de 32 graus, rigidez muscular. Nessa temperatura, ocorre diminuição da frequência cardíaca, da pressão arterial e a respiração torna-se lenta e superficial. Em temperaturas ainda mais baixas, ocorre perda de consciência. Deve-se cuidar para não confundir a hipotermia profunda com a morte, pois o paciente está frio, pálido, inconsciente e com intensa rigidez muscular. Como complicações da hipotermia, podem ocorrer arritmias cardíacas, edema de pulmão, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, parada cardíaca e respiratória, dentre outras. A mortalidade é alta, principalmente com doenças associadas como intoxicação alcoólica, distúrbios metabólicos (hipoglicemia, hipotireoidismo, p. ex.), desnutrição, etc. O tratamento da hipotermia leve é o reaquecimento com cobertores ou banhos quentes. Os pacientes intensamente hipotérmicos devem ser tratados em hospital com monitorização intensiva, oxigenioterapia, líquidos aquecidos por via intravenosa para corrigir a hipovolemia, controle do potássio sérico e da acidose metabólica e reaquecidos. Em casos graves, pode ser necessária a hemodiálise para aquecer o sangue externamente ou diálise peritoneal. Doenças associadas devem ser investigadas e imediatamente tratadas. Sutura
a bordo com 22nós de vento Nossa saída do Veleiros do Sul foi tumultuada, com um vento sul (de proa) de 22 nós. Logo na saída do clube, assim que subimos a vela grande, a retranca bateu no rosto do meu sobrinho, abrindo um corte no supercílio esquerdo. Como médica de bordo e cirurgiã plástica, decidi fazer a sutura, pois o corte era profundo. Além do corte,
meu sobrinho estava bem. Se ele estivesse com tontura ou perda de consciência,
a conduta certa seria voltar ao clube e levá-lo ao pronto socorro.
Toda batida na cabeça deve ser investigada, pois há risco
de hemorragia intracraniana. Formigamento
por todo o corpo Ambulância,
hospital, 35ºC Quando entrei na ambulância, eu ainda sentia formigamentos nos braços e nas pernas, mas de fraca intensidade. No hospital, o médico mediu minha temperatura : 35 graus centígrados. O normal é em torno de 36,6 graus. Os exames laboratoriais estavam todos normais. A hipótese diagnóstica mais provável foi hipotermia. 45
nós de vento e ondas de 4 a 5 metros Concluindo-se, nós
velejadores não podemos subestimar o frio. Devemos evitar, sempre
que possível, exposições prolongadas e usar roupas
adequadas. Em casos de suspeita de hipotermia, o paciente deve ser rapidamente
reaquecido com roupas secas e cobertores. Nos casos mais graves, deve
ser levado a um hospital. |
Capitão
Am Claudia Barth, no Veleiros da Ilha, Florianópolis
Comandante André Barth na travessia Rio Grande - Florianópolis,
costa do Rio Grande do Sul:
"Impressionante
a calma do Comandante André"
Ponte Hercílio Luz - cartão postal de Florianópolis
19
Mai 05 A.J.
Machado Tobruk CDJ
Muito interessante e elucidativo.
21
Mai 05 Eduardo
Hofmeister Ferrugem VDS
Cláudia,
Parabéns pela simplicidade com que relataste tão grande experiência.
Sobre a calma do Comandante, posso dizer que é mal da família.
O Seu Egon, carinhosamente chamado de Chico pela tripulação,
era o mais calmo a bordo e nunca ouvi ele levantar a voz para dar alguma ordem.
Assim muitos aprenderam a velejar.
Um abraço
Ferrugem
22
Mai 05
Victor Scur Barth
Aee claudiaaa! Essa viajem foi mto boa
msm, mas esta foi a parte mais apavorante do passeio, mais ate que a tempestade.Eu
tbm nao sai inteiro desse passeio, com o meu corte no supercílio.
Abraçao
Victor Scur Barth
23
Mai 05 Jeferson
Scholze
Fui proprietário de um Bruma 19 (SIBA), que afundou na marina do Alemão
Arno (Ipanema). Isso ocorreu a uns 10 anos atrás.
No dia em que o barco virou, fui no local e tentei inutilmente desvirá-lo.
Estava ancorado quando virou, sem nenhum tripulante.
Era inverno e batia um vento minuano muito forte.
Entrei na água, somente de calção e não fiquei
mais de 10 minutos. O Arno entrou com roupa de neoprene.
Na ocasião, o Arno gritava para eu sair da água e por sorte,
haviamos amarrado uma corda da praia até o barco.
Com o auxílio desta corda, consegui voltar. Entrei na casa do alemão
e não conseguia falar, não controlava mais a respiração
e estava com os músculos todos rígidos. Meu corpo pulava sem
eu ter o controle.....
O Arno me ajudou a secar o corpo, porque eu não conseguia, me enrolou
em um cobertor e alguém me deu um copão de café preto
quente bem doce....
Aos poucos a respiração voltou ao normal, coloquei minha roupa
e voltei para o serviço.
Depois de alguns anos, conversando com um amigo médico, fui informado
que havia passado por uma situação de hipotermia.
O assunto é sério e é muito mais fácil ter uma
hipotermia do que imaginamos.
Teus relatos me fizeram lembrar o que ocorreu comigo.
Abraços a todos tripulantes,
Jeferson Scholze
22
Jun 05 André
Coelho VDS
Num relato simples e claro, Cláudia nos mostra que mesmo estando preparados
técnicamente podemos, por excesso de confiança, prejudicar uma
viagem e principalmente a saúde. Todo e qualquer cuidado quando se
sai a navegar são bem vindos, pois o resgate por mais rápido
que possa ser, nestas circunstâncias (no meio da lagoa ou mar), poderá
chegar tarde demais. Parabéns Dra Cláudia, continue nos brindando
com teus relatos, navegando agora além do barco, nas letras.
André Coelho VDS
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