Erros de Navegação - um passado quase esquecido
Perdidos no fog
por Augusto Chagas

Um erro de navegação dentro de um fog trouxe a maior perda da Esquadra Americana em tempo de paz.
A cerração sempre foi um perigo para a navegação apesar de hoje ter sido bastante diminuído depois da introdução do GPS.
Em 1923 os auxílios de rádio à navegação estavam na sua infância e uma errônea interpretação de uma informação provida por um rádio farol na costa da Califórnia trouxe a maior perda em tempo de paz da Marinha Americana.

Uma flotilha de 11 dos mais modernos destróieres e 7 outros navios de guerra estavam em manobras em 9 de setembro de 1923.
O oficial de navegação do destróier líder o USS Delphy era o catedrático de navegação da Academia Naval. Sua palavra, e portanto, suas decisões, era lei.

O dia todo apresentara dificuldades por causa do nevoeiro, tornando impossível qualquer visada do sol. Ás 1800 num radiogoniômetro conseguiram um alinhamento de uma estação da costa. Este alinhamento confirmou parte da navegação estimada do oficial encarregado o que foi o seu primeiro erro. Ele deveria estar em algum ponto daquela linha mas ele não poderia saber com precisão onde.

O curso tinha sido mais ou menos sul todo o dia, quase paralelo à costa mas ele na tinha como saber exatamente qual a distância que a esquadra navegava.
Todas as indicações do dia foram ruins. O SS Cuba que tinha encalhado na Ilha de São Miguel tinha provocado grande trafico de rádio de modo que não foi possível obter uma confirmação da posição de estações em terra.
Três horas depois de receber o sinal do rádio farol o oficial de navegação, sem se dar conta que estava 30 milhas fora do curso deu ordem para a esquadra guinar para bombordo e seguir no rumo de 095° para dentro de uma densa cerração.

Minutos após, o Delphy a 20 nós raspou o fundo e adernou num promontório rochoso que avançava no Pacífico 75 milhas ao Norte de Santa Bárbara logo ao norte do Cabo Arguello. Não havia tempo para os outros barcos alterarem o curso. O USS P.Lee viu a espuma branca levantada pelos hélices do líder agora em ré, virou para a esquerda e subiu também nas rochas.

O USS Young bateu violentamente nas rochas e rasgou a maior parte de seu costado de bombordo antes de afundar; ele foi logo seguido pelo USS Nicholas.
Então a próxima coluna de três navios o USS Woodhury, o USS Chauncey e o USS Fuller, chegaram, também indo muito rápido para evitar o desastre. Ao todo sete destróieres construídos entre 1918 e 1920 pelas últimas especificações da Marinha Americana, custando milhões de dólares naufragaram sem possibilidade da salvação nas ondas violentas.

Somente a terceira coluna na qual o navegador líder teve um pressentimento forte o suficiente para desobedecer a ordem de guinar para bombordo evitou maior desastre.

O notável deste acontecimento foi que só morreram 22 marinheiros.
Poderiam ter morrido maior número se não fosse o heroísmo do Engenheiro Chefe Erekenburg do Delphy que duas vezes atravessou a rebentação, no escuro, com cabos para salvamento. Foi ajudado por uma mulher moradora da costa que tomou conta dos cabos salva-vidas e ajudou a puxar muitos sobreviventes para terra.

O Comandante Augusto Chagas é velejador, especialista em navegação estimada e digital