A Arte de Velejar

Assim como pintar um quadro, escrever uma poesia, cantar, se apresentar em um palco ou criar uma obra de arte, eu considero o ato de velejar uma expressão suprema da criação e comportamento comparando até mesmo com nosso ritmo e estilo de vida.

A arte de velejar não tem idade, dos sete aos 70, não importa, nunca é tarde. O brilho nos olhos de uma criança de sete ou um jovem adulto de 70 é exatamente o mesmo: vívido  e expressando a emoção de descobrir o sentimento de liberdade.

Comparando a vela com arte, a pintura se faz presente em todos os momentos mas quando o sol nasce ou se põem é uma verdadeira explosão  de cores e no mar a amplitude é multiplicada fazendo com que cada momento se transforme em um quadro animado, nos levando da realidade a ficção, perpetuamos o momento com uma foto que sem palavras mas com imagens nos dizem muito.


A poesia do som
das cores do ato
do momento
surgem em rimas casadas
brincando com vento
como esta que invento

Jogando com palavras
Lançando-me ao mar
Rimando Manicaca, Catraca
Caçar ou soltar

E se isso não bastasse
Me permito viajar
Suspender o ferro e iniciar
A viagem sonhada
Embalado pelo mar

Pensando nos quadros,
Nas fotos, na vida
E simplesmente
Velejar.


Comparando o contravento com a nossa luta diária: do trabalho; dos negócios e nos relacionamentos, onde vamos de peito aberto e rosto lavado contra o mar e os borrifos das ondas seguindo a intuição e o conhecimento para depois da meta alcançada, retornar com vento à favor colhendo frutos dos investimentos que foram conquistados passo a passo, bordos após bordos. Correndo com o mar e com o tempo só nos resta aproveitar e recarregar as energias. Assim como durante uma regata é no momento do vento em popa que nos nutrimos ingerindo líquidos e alimentação, preparando o corpo e a mente para o próximo contra vento.

Texto: Marcos Hurodovich